Origem Da Capoeira

A história da capoeira está intimamente ligada à história dos negros no Brasil. Quando os europeus aqui chegaram, necessitaram encontrar mão-de-obra barata para a exploração das terras. Os indígenas, de imediato capturados, reagiram à escravidão e não suportaram os maus-tratos a que foram submetidos. Os colonizadores precisaram, então, buscar nova mão-de-obra escrava, e para isso trouxeram negros da África. Os negros eram tirados de sua terra, colocados nos porões dos navios e levados para os novos horizontes recém descobertos pelas grandes potências da época.

Os escravos eram vendidos por chefes de tribos inimigas ou como em Angola, os próprios portugueses invadiam o interior sequestrando o que chamavam de ‘peças da Índia’. Estudiosos afirmam que por volta de 1550 é que os primeiros escravos africanos começaram a desembarcar no Brasil, oriundos de diferentes tribos, trazendo seus costumes, suas culturas. Já Oliveira (1989, p. 21), também conhecido por Mestre Bola Sete, em seu livro A Capoeira Angola na Bahia, afirma que “os primeiros escravos africanos a chegarem no Brasil e os que vieram em maior número foram os negros bantos”, eram naturais de Angola. Quando aqui chegavam eram separados para que um senhor não ficasse com negros que falassem o mesmo dialeto, a fim de evitar que se comunicassem e armassem rebeliões.

A relação entre os senhores e os negros escravos era de propriedade, decorrente do pagamento por sua aquisição. Os senhores julgavam-se no direito de exigir dos negros os mais duros trabalhos. A respeito, Areias (1996, p. 11) afirma: trabalhando num regime de sol a sol, comandados pelos chicotes dos feitores, eles derrubavam as matas, preparavam a terra, plantavam a cana e produziam, com o amargor do seu sofrimento, o açúcar, doce riqueza dos seus senhores. Além do sofrimento infligido aos negros, a distância de sua terra natal, aliada a todas as outras condições adversas encontradas nas novas terras, os fazia rebelar-se. Assim, para que o regime escravocrata não entrasse em colapso, mais castigos e torturas eram aplicados aos escravos. Vale lembrar que muitos escravos eram guerreiros, reis e pessoas de extremo valor em sua terra natal, não admitindo o que estava acontecendo com seu povo, era apenas questão de tempo para algo que mudou o Brasil acontecer.

Como poderiam se defender, estando em tal situação de inferioridade? Segundo Mestre Pastinha (1988, p. 28), em sua obra Capoeira Angola: Os negros africanos, no Brasil colônia, eram escravos e nessa condição tão desumana não lhes era permitido o uso de qualquer arma ou prática de meios de defesa pessoal que viessem pôr em risco a segurança de seus senhores.

Sobre a verdadeira origem da capoeira, muitas são as divergências existentes entre os pesquisadores. Um dos motivos que contribuiu para dificultar o conhecimento sobre a origem da capoeira é salientado por Mello (1996, p. 29), que afirmou: Ruy Barbosa, quando ministro da Fazenda, com o argumento de apagar a história negra da escravidão, mandou incinerar uma vasta documentação relativa a esse período. Para alguns autores, estudiosos do assunto, a capoeira foi uma invenção do negro na África, onde existia como forma de dança ritualística. Mais tarde, com o processo do colonialismo brasileiro e com a chegada dos negros escravos originários da África, aqui a capoeira apareceu como forma de defesa pessoal dos escravos contra seus opressores do engenho (SANTOS, 1990, p. 19). Na visão de Pastinha (1988, p. 26): “Não há dúvida que a capoeira veio para o Brasil com os escravos africanos”. Para Marinho (1956) não existem dúvidas de que a capoeira foi trazida para o Brasil pelos negros africanos bantos procedentes, principalmente, de Angola. Para outros pesquisadores, estudiosos da cultura afro-brasileira, africana e historiadores, a capoeira surgiu no Brasil por um processo de aculturação em prol da liberdade humana da raça negra escravizada pelos dominantes da época do Brasil colonial (SANTOS, 1990, p. 19). Para Areias (1983), como os escravos africanos não possuíam armas para se defender dos inimigos – os feitores, os senhores de engenho – movidos pelo instinto natural de preservação da vida, descobriram em si mesmos a sua arma, a arte de bater com o corpo, à semelhança das brigas dos animais, suas marradas, coices, saltos e botes.

Aproveitaram ainda suas manifestações culturais trazidas da África, suas danças, cantigas e movimentos. Dessa forma nasceu o que hoje chamamos de capoeira. Areias (1996, p. 15-16), em publicação posterior, acrescentou: Tendo como mestra a mãe natureza […], utilizando-se das estruturas das manifestações trazidas da África […], os negros criam e praticam uma luta de autodefesa para enfrentar o inimigo. Reis (1997a, p. 19), em posição idêntica, afirma: “A capoeira é uma manifestação cultural brasileira nascida em circunstâncias de luta por liberdade, nos tempos da escravidão”.

Alguns autores questionam o fato de a capoeira ter surgido apenas no Brasil, embora africanos de origem banto tivessem sido levados para diversos outros países, na mesma época. Capoeira (1998, p. 34), em sua obra Capoeira – pequeno manual do jogador, asseverou: Temos agora uma ideia de como nasceu a capoeira: mistura de diversas lutas, danças, rituais e instrumentos musicais vindos de várias partes da África. Mistura realizada em solo brasileiro, durante o regime de escravidão, provavelmente em Salvador e no Recôncavo Baiano durante o século XIX. Há que se citar, também, o pesquisador Rego (1968), que, em vista de uma série de dados colhidos em documentos escritos e, sobretudo, no convívio e diálogo constante com pessoas da época ou mais antigas, que praticavam a capoeira na Bahia, sustenta que a capoeira nasceu no Brasil, criada pelos africanos e desenvolvida pelos seus descendentes afro-brasileiros.

 

Mestre Bimba

Manoel dos Reis Machado, conhecido como Mestre Bimba, nasceu dia 23 de novembro de 1900, no bairro de Engenho Velho, Freguesia de Brotas, em Salvador, Bahia. Almeida (1994, p. 15) conta que, aos 12 anos de idade, Bimba, o caçula de D. Martinha, iniciou-se na capoeira, na Estrada das Boiadas, hoje grande bairro negro, Liberdade. Seu mestre foi o africano Bentinho, Capitão da Companhia de Navegação Bahiana. Almeida (1994, p. 16) relata que após algum tempo na capoeiragem, Bimba: começou a sentir que a capoeira, que ele praticava e ensinou por bom tempo, tinha se folclorizado, que a utilizavam para exibições em praça e, por ter eliminado seus movimentos fortes, mortais, deixava muito a desejar em termos de luta.

Manoel dos Reis Machado foi um dos maiores capoeiristas de seu tempo. Excelente jogador, lutador perigoso, excepcional e criativo tocador de berimbau, cantor de mão cheia, era homem de personalidade forte e marcante. Bimba abandonou as rodas de capoeira angola de sua época e abriu sua academia por volta de 1930 e passou a ensinar a modalidade de capoeira que foi chamada de ‘regional’. Vieira (1998, p. 2) disse que, com o aparecimento de Mestre Bimba, iniciou-se a divisão do universo da capoeira em duas partes, em que uns se voltaram para a preservação das tradições e outros procuraram desenvolver uma capoeira mais rápida e direcionada para o combate. Em Almeida (1994, p. 17), Bimba lembra: até 1918 não havia escola de capoeira. Havia roda de capoeira nas esquinas, nas portas dos armazéns, no meio do mato. A Polícia proibia e eu uma certa ocasião, paguei até 100 contos de réis a ela para tocar duas horas. Segundo Vieira (1998, p. 139): Já no final de sua vida, Bimba transferiu-se para Goiânia, em 1973 […]. Faleceu em Goiânia em 05 de fevereiro de 1974, vítima de um derrame cerebral.

Capoeira Regional

Almeida (1994) fez constar que Bimba aproveitou-se de uma antiga luta existente na Bahia, chamada ‘Batuque’ – da qual seu pai era campeão -, da capoeira angola, de vários elementos de outras artes marciais e do seu gênio criativo para criar um novo estilo a que chamou de Capoeira Regional. Bimba disse no livro, A Saga de Mestre Bimba, de Almeida (1994, p. 17): Em 1928 eu criei, completa, a Regional, que é o Batuque misturado com a Angola, com mais golpes, uma verdadeira luta, boa para o físico e para a mente.

Sobre a criação da Capoeira Regional, Vieira (1998, p. 1) afirma: Quando a Regional surgiu, já existia uma tradição consolidada na capoeira, principalmente nas rodas de rua do Rio de Janeiro e da Bahia.

O método de ensino, os novos golpes e a nova mentalidade, com outros valores, fizeram com que a regional de Bimba se diferenciasse muito da capoeira tradicional.

Alvaro “Boa História” Sepulveda de Souza Neto

Começou a pratica da capoeira por volta dos cinco anos de idade no grupo 13 de Maio que na época tinha como mestre Mestre Dinho, formado por Mestre Ivan que vinha de uma linhagem direta de Mestre Bimba.

Conheceu diversos estilos de artes marciais passando por Kung Fu estilo punho de gato, Boxe e Jiu Jitsu Brasileiro. É Formado em Morganti Ju Jitsu (estilo tradicional japonês de Ju Jitsu) e atualmente faz estágio de adaptação para Capoeira contemporânea com Mestre Caroço que também tem linhagem direta com Mestre Bimba.

Fez parte das fileiras do exercito Brasileiro como soldado de infantaria de combate, onde por meio dos treinamentos físicos lá feitos e aprendidos trouxe um diferencial na pratica das suas aulas. Antes de formar alguém quem saiba se defender com golpes, prepara o aluno para se depender psicologicamente, corpo, mente e espirito se fortalecem juntos.